terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ela entrou na escola decidida que tudo seria diferente. Seus ciúmes e suas raivas anteriores já não existiam. Já não tinha lógica afinal.
Seus olhos estavam abertos com certa força, nunca fora uma menina matutina, carregava seus materiais com certo desanimo, mas andava sempre com a cabeça erguida e atenta a tudo a seu redor de alguma maneira.
Seu perfume estava mais fraco hoje, mas ainda era perceptível e lhe trazia um ar de calma, seu cabelo estava preso em um coque levemente bagunçado, e seu jeans novo contrastava com seu tênis surrado.
Andava até a sala sem pressa, mas com certa determinação.
Suas primeiras aulas foram como o esperado, cansativas, irritantes e longas o suficiente para poder colocar todos os assuntos em dia com suas amigas.
Estava ansiosa, esperava o intervalo de maneira que nunca esperou antes. Conferia o relógio de 5 em 5 minutos. O sino bateu.
Desceu em seu ritmo, sempre conversando com suas amigas, mas ao mesmo tempo atenta ao seu redor. Ate que viu o que vinha lhe incomodando desde a noite passada.
La estava ele sentado, conversando com uma tranqüilidade que lhe soava falsa. La estava ela ao seu lado, olhando com cara de quem havia vencido, e sempre ao se virar para ele, com cara de quem precisava de carinho e era injustiçada.
Isso lhe subia o sangue de tal maneira que nem ela conseguia explicar. Fingia ser indiferente, superior a tudo aquilo. Sabia que não era.
Passava de um lado para o outro, mesmo quando não era necessário para ver se chamava atenção, dele.
Ele conseguia fingir indiferença melhor do que ela. Isso a incomodava. Mas havia planejado que seria diferente a partir de hoje. Respirou fundo algumas vezes e com certa desconfiança aproximou-se e cumprimentou.
Não olhava na cara da outra garota, mas prestava bastante atenção em todos e fixava seu olhar nele.
Sua boca ficava seca e sentia seu corpo querendo ir mais pra perto. Controlava-se. O sino bateu novamente, nunca 20 minutos foram tão demorados. Mal sabia ela que seria assim todos os dias a partir daquele dia.
Todos o dias age com superioridade, todos os dias engole a vontade de matar a menina disfarçada de santa e todos os dias, respira fundo, tentando encontrar alguma paz quando ele esta por perto.
Seus olhares já não são mais tão fixos, mas seu coração ainda bate de maneira que ela gostaria de controlar. Mas ela sabe que isso é uma fase e que vai passar.

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